"Há
uma meditação calma, silenciosa e conectada na avenida Heitor Dias. Os carros
passam, como em ritmo e harmonia sincronizada, espontânea. Carros passam e
deixam audíveis seus pneus em circulação frenética.
Quando vou dormir, eu poderia ouvir uma música com meus fones de ouvido, porém, como sempre, desde minha cidade natal, moro perto de pistas com bons movimentos de carros. Quando vou dormir, como sempre, ouço de longe-perto os carros cortando o ar em velocidade desencadeada por seus motores e pneus que desfilam pelo asfalto.
O ar é cortado; os caminhões passam; as motos também passam. Entre um 'vuuur' e outro, há um mais rápido e mais barulhento 'vrauuum'. Chega a ser cômico. Chega a ser desestruturante. Chega a ser nostálgico.
Lembro bem como quando eu era uma criança pequena: carro bom era apenas os que andavam rápido e faziam barulho quando cortavam o vento. Hoje, já uma criança grande, sei que o barulho não é do vento sendo cortado. O barulho vem do asfalto sendo eficiente no que se propõe a fazer: facilitar a vida dos pneus!
Vou retornando aos pedacinhos de minha infância. Fecho meus olhos de mel e me sinto em casa. É bom. É reconfortante. Qualquer lugar com um asfalto saudável e com carros que cortam o ar me trazem calma, me trazem paz, me trazem casa.
Qualquer lugar com um asfalto, automóveis passando por ele, e ventos sendo cortados quer dizer muito pra mim! Meus ouvidos ouvem como quem ouve uma canção de ninar. Minha mente cria ideias calmantes como quem pratica Zazen. O asfalto é um caminho de encontro do meu 'Eu' comigo mesmo; e quando isso acontece vou de encontro a um equilíbrio consciente seguido por um sono gostoso!
Durmo! Durmo embalado por automóveis desfilando em um asfalto, pra acordar de manhãzinha, com buzinas e ônibus massacrando o vento e trazendo um pouco mais de agonia. E nesse momento já não há mais nem calma, nem equilíbrio, nem calmaria. Nesse momento só há mais um pouco de vontade de calma, de sono e de alegria. O asfalto não mente!"
Texto escrito: 00:27, quarta-feira, 9 de maio de 2018.
Autor: Vitu Gilrassol
Quando vou dormir, eu poderia ouvir uma música com meus fones de ouvido, porém, como sempre, desde minha cidade natal, moro perto de pistas com bons movimentos de carros. Quando vou dormir, como sempre, ouço de longe-perto os carros cortando o ar em velocidade desencadeada por seus motores e pneus que desfilam pelo asfalto.
O ar é cortado; os caminhões passam; as motos também passam. Entre um 'vuuur' e outro, há um mais rápido e mais barulhento 'vrauuum'. Chega a ser cômico. Chega a ser desestruturante. Chega a ser nostálgico.
Lembro bem como quando eu era uma criança pequena: carro bom era apenas os que andavam rápido e faziam barulho quando cortavam o vento. Hoje, já uma criança grande, sei que o barulho não é do vento sendo cortado. O barulho vem do asfalto sendo eficiente no que se propõe a fazer: facilitar a vida dos pneus!
Vou retornando aos pedacinhos de minha infância. Fecho meus olhos de mel e me sinto em casa. É bom. É reconfortante. Qualquer lugar com um asfalto saudável e com carros que cortam o ar me trazem calma, me trazem paz, me trazem casa.
Qualquer lugar com um asfalto, automóveis passando por ele, e ventos sendo cortados quer dizer muito pra mim! Meus ouvidos ouvem como quem ouve uma canção de ninar. Minha mente cria ideias calmantes como quem pratica Zazen. O asfalto é um caminho de encontro do meu 'Eu' comigo mesmo; e quando isso acontece vou de encontro a um equilíbrio consciente seguido por um sono gostoso!
Durmo! Durmo embalado por automóveis desfilando em um asfalto, pra acordar de manhãzinha, com buzinas e ônibus massacrando o vento e trazendo um pouco mais de agonia. E nesse momento já não há mais nem calma, nem equilíbrio, nem calmaria. Nesse momento só há mais um pouco de vontade de calma, de sono e de alegria. O asfalto não mente!"
Texto escrito: 00:27, quarta-feira, 9 de maio de 2018.
Autor: Vitu Gilrassol
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