quarta-feira, 11 de julho de 2018

O fluir do trem

Os carros preencheram grande parte da sonoridade presente no percurso que fiz do ponto de onibus até o trem. Ao chegar na Calçada, ouvia-se pessoas conversando, vendendo frutas, amendoim, salgados, e a partir daí outros sentidos foram explorados, o cheiro de tangerina ( que me fez lembrar da necessidade de trazer sempre dinheiro pra comprar fruta na rua) e os olhos atentos ao lugar desconhecido e a estação de trem.
Ao entrar no trem, os sons foram diversos, começando com as vozes inquietas de quem entrava e saía, os som dos trilhos, de passos, crianças alegres e curiosas. Após um tempo de viagem, a experiencia sonora se tornou ainda mais prazerosa com as canções tocadas e cantadas por Katalina. 
O percurso fluiu com a vista ora do mar, ora de casas e construções, pescadores, canoas, matas. A cada parada, com o sair e entrar de pessoas, se renovava o ambiente, com jovens, idosos e crianças. Junto com os passageiros, entrava também as vezes o cheiro de peixe junto aos versos de Caymmi que transitavam na cabeça: "O canoeiro joga a rede, joga a rede no mar (...)"


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Campainha sincera

"Quando ouço a campainha que anuncia que as portas do metrô irão fechar, lembro de minhas mães. Cresci e fui educado na casa de meus tios. Considero minha tia como uma mãe. A chamo de mainha, mas quando falo sobre ela para os outros, a chamo de tia-mãe para que as pessoas não a confundam com minha mãe biológica quando falo sobre ambas. Embora eu não concorde com muitos pensamentos e atitudes delas, tenho que admitir: admiro a sinceridade que elas exercem. Uma é mais sutil e leve, outra muito direta e sem papas na língua, não poupando alcances vocais altos carregados de intenções.
Minhas mães são como a campainha do metrô. Ora aparenta ser alta demais, ora aparenta ser baixa demais. Ora aparenta ser sutil e doce, ora aparenta ser desesperada e enraivecida... mas sempre é sincera. É simples. Basta alguém ouvir aquele barulho que automaticamente observa as portas e evita estar muito perto. Pronto, o som foi breve, direto e sincero: 'se você continuar aqui provavelmente perca um braço, um pé ou uma mochila'.
É muito engraçado. Às vezes também me sinto como essa campainha. Às vezes me sinto uma mistura de minhas mães. Às vezes sou considerado rude, por ser direto demais; às vezes sou considerado ignorante por opinar sobre um determinado assunto com minhas impressões. Às vezes também sou taxado de insensível por ser direto e racional demais em alguns momentos enquanto a minha fala. 'Não gosto disso'; 'Não acho isso legal'. 'Gosto disso'; 'Acho que poderíamos fazer mais isso'. 'Não gosto de você'; 'não quero conversar agora'. 'Gosto muito de você, acho que deveríamos ser amigos. Você quer ser meu amigo?'; 'estou com raiva'; 'estou triste'; 'estou alegre'; 'estou satisfeito'.
Frases diretas e sinceras demais. Apenas convivo com pessoas assim.
Há uma grande sinceridade que chega a ser assustadora na campainha do metrô. Mas quem é que vai julgar o metrô? Ninguém... porque todos precisam dele. Quem vai criticar a sua campainha?, ninguém, porque todos agradecem por estarem com seus braços inteiros enquanto as portas se fecham. A campainha do metrô é sincera e direta, a campainha do metrô é muito bem educada. A campainha do metrô é muito bem interpretada!"

Texto escrito: ‏‎07:10, ‎terça-feira, ‎22‎ de ‎maio‎ de ‎2018.
Autor: Vitu Gilrassol

Já morei ali

"Talvez soe louco, e talvez seja mesmo, mas já morei ali. Já morei naquele lugar onde caminhamos. Aquilo ali não foi tão novidade pra mim. Não me refiro às casas que parecem ser de interior sertanejo ou das ruas que passam carros constantes. Não tô me referindo também aos homens que vendem vegetais em frente ao mercado em caixotes com furinhos no fundo e tracinhos verticais na lateral. Também não estou me referindo às ladeiras, no qual tanto já andei, subi, desci, caí de skate e me ralei todo. Mais uma vez, não tô me referindo à escola com estudantes vespertinos, onde eu buscava meu irmão no fim da tarde; às casas largadas que parecem mal assombradas durante a noite e a uma tríade de rua numa avenida movimentada. Não estou me referindo às igrejas que coexistem no mesmo espaço que quintais africanos. Estou me referindo a um bairro aí, que me parece ser parente desse novo bairro - novo pra mim, que conheci agora.
Estou me referindo ao movimento, à atmosfera. Já morei ali, naquela atmosfera. Já morei ali naquele horário, em que as lojas de roupas estão abertas pois seus donos sabem que as pessoas voltando do trabalho veem e desejam o que está sendo exposto; em que os barzinhos começam a se abrir de verdade e as crianças vão comprar refrigerantes pra merendar. Já morei ali, naquelas escadinhas que vão se encurtando e se enlarguecendo, mas que servem como mini condomíneos com vizinhança que chama um ao outro com um grito baixo pra pedir tempero emprestado, e também como atalho pra quem vai pra um outro lado de não sei onde.
Já morei ali, onde dá pra ver o pôr do Sol, e onde a padaria abre na tarde e as pessoas vão comprar pão. Já morei ali onde é normal ter uma sex shop. Já morei ali perto do lugar que faz tatuagem que fica aberto até às 20h, mas que sempre fecha mais tarde pois as tatuagens não são terminadas no horário em que o estabelecimento deveria fechar. 'Fecha a porta aí e não deixa mais ninguém entrar que eu só tô terminando essa daqui'. Os salões masculinos em que os homens não gostam de chamar de salão e por isso temos que chamar de barbearia. Já cortei cabelo lá, quando eu cortava meu cabelo.
Já morei em frente àquela casa da tia 'macumbeira', em que dia de sexta tem que se benzer quando passar em frente, que ela inventa de vestir branco. 'Um dia uma cobra fugiu de lá', assim me disseram. 'Aquela estátua com cabeça de jacaré representa o animal que existe no homem', assim também me disseram. Meu Deus, eu deveria ter me benzido toda hora, pois eu vivia literalmente em frente à casa da tia em que vivia na mesma rua da igreja Adventista, onde só existe um deus - amém!  Morei perto daquela avenida que no fim da tarde fica toda movimentada e que por isso menino tem que olhar pra os dois lados antes de atravessar. 'Não fique confiando naquela sinaleira ali não'.
Enfim... morei ali e tenho certeza disso. Ou seria melhor dizer que aquele lugar agora mora em mim? Não sei muito bem. Só sei que alguém tá morando em alguém, e desses alguéns, alguém não pode ir brincar na rua depois das 7."

Texto escrito: 00:56, quarta-feira, ‎9‎ de ‎maio‎ de ‎2018.
Autor: Vitu Gilrassol

Barulhos dizem, ouvidos ouvem, mentes criam: o asfalto não mente

"Há uma meditação calma, silenciosa e conectada na avenida Heitor Dias. Os carros passam, como em ritmo e harmonia sincronizada, espontânea. Carros passam e deixam audíveis seus pneus em circulação frenética. 
Quando vou dormir, eu poderia ouvir uma música com meus fones de ouvido, porém, como sempre, desde minha cidade natal, moro perto de pistas com bons movimentos de carros. Quando vou dormir, como sempre, ouço de longe-perto os carros cortando o ar em velocidade desencadeada por seus motores e pneus que desfilam pelo asfalto.
O ar é cortado; os caminhões passam; as motos também passam. Entre um 'vuuur' e outro, há um mais rápido e mais barulhento 'vrauuum'. Chega a ser cômico. Chega a ser desestruturante. Chega a ser nostálgico.
Lembro bem como quando eu era uma criança pequena: carro bom era apenas os que andavam rápido e faziam barulho quando cortavam o vento. Hoje, já uma criança grande, sei que o barulho não é do vento sendo cortado. O barulho vem do asfalto sendo eficiente no que se propõe a fazer: facilitar a vida dos pneus!
Vou retornando aos pedacinhos de minha infância. Fecho meus olhos de mel e me sinto em casa. É bom. É reconfortante. Qualquer lugar com um asfalto saudável e com carros que cortam o ar me trazem calma, me trazem paz, me trazem casa.
Qualquer lugar com um asfalto, automóveis passando por ele, e ventos sendo cortados quer dizer muito pra mim! Meus ouvidos ouvem como quem ouve uma canção de ninar. Minha mente cria ideias calmantes como quem pratica Zazen. O asfalto é um caminho de encontro do meu 'Eu' comigo mesmo; e quando isso acontece vou de encontro a um equilíbrio consciente seguido por um sono gostoso!
Durmo! Durmo embalado por automóveis desfilando em um asfalto, pra acordar de manhãzinha, com buzinas e ônibus massacrando o vento e trazendo um pouco mais de agonia. E nesse momento já não há mais nem calma, nem equilíbrio, nem calmaria. Nesse momento só há mais um pouco de vontade de calma, de sono e de alegria. O asfalto não mente!"

Texto escrito: 00:27, quarta-feira, 9 de maio de 2018.
Autor: Vitu Gilrassol

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Paisagem sonora 24/05/2018

Sonoridades diversas.
Músicas diversas de Milton Nascimento.
Paisagem da janela
Um girassol da  cor de seu cabelo
Sedução
Travessia
Canção do sal
Nuvem cigana
Para lennon e maccartney
Certas canções
Caxangá
Cata-vento
Vera cruz
Ponta de areia
Trem de doido
Ânima
Caçador de mim.

Essa semana chegaram novos vizinhos.  E uma nova sonoridade apareceu. O dia inteiro tocando dance music.

Tum tis Tum  tis tum

Outro vizinho toca  Silvano Sales:
"Agora não  me chame de meu nego.  Agora não  me chame de bebê. Pois era assim que ela me chamava e um apelido carinhoso é mais difícil de esquecer "

Todos os dias bem cedo ouço  o choro de um cachorrinho.
Às 5 horas  da manhã  ouço  panelas,  água  na pia,  som do botão  do fogão  girando para ferver água.
Quero meu acholatado,  diz Tomás ao acordar. Depois vem bom dia e beijinhos.
Não  mãe,  não  mãe.  Minha filha diz quando vou acordá-la.
Som do chuveiro ligado.
"Não  quero! Não  lava minha cabeça."
Tomás  fala durante o banho.
Som de carros.

"Bom dia."
"Que lindos!"
"São gêmeos?"
"Tchau mãe! Deixa dar abraço . Deixa dar beijo!"

Bi bi  bi

Vrum  Vrum

Passos.

Metrô.

"Fiquem longe das portas"
"Ceda lugar,  especialmente os assentos de cor azul".

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Estou passando uma temporada na Piedade, me possibilitando ter experiencias sonoras novas e um tanto "pertubadoras".
Minhas impressões dessa semana começaram em casa, ao som de pandeiro, violão e batuques em galão de água e na mesa da cozinha, e no mesmo momento os anúncios de vendedores na rua. O que mais me chamou atenção foi o vendedor de cortador de temperos; legumes "e tudo mais que você pode imaginar, minha cliente" que anunciava o produto como quem declama uma poesia, contando inclusive, com o auxilio de um microfone.
Nos meus trajetos dessa semana (casa- ponto do buzufba- escola de musica- ondina), os sons mais presentes e os únicos que me atentei, foram os sons de carros, vendedores de amendoim; picolé; guarda-chuva; O CARRO DO OVO (!!! ESPECIALMENTE!!! 30 OVOS, 10 REAIS)
E durante a noite, ao chegar em casa, o barulho de jatos d'agua lavando a praça da piedade; pessoas em situação de rua conversando, algumas crianças gritando, os transportes passando rapidamente, um menino fazendo a escala de dó maior (ele faz quase toda noite) até alguém na rua gritar " CALA A BOCA P*****" ( isso quase toda noite também). E por fim, o Pastor e seu grupo, pregando, cantando e distribuindo alimentos pros moradores de rua - "O DEMONIO QUE SE APOSSOU DO SEU CORPO E DA SUA ALMA, QUE TE FEZ ENTRAR NO MUNDO DAS DROGAS; DA ILEGALIDADE; DA PROSTITUIÇÃO, MEU IRMÃO.. ELE VAI SAIR DAÍ!!!"- ouvi também os moradores de rua interagindo com o grupo, cantando as musicas, chorando, gritando, alguns pedindo silencio (ou "CALA A BOCA P****")

Ps. Creio que minhas impressões sonoras talvez não estejam tão de acordo com o que foi pedido, visto que relatei sons urbanos, cotidianos e que não são tão culturais. No entanto, foram os sons mais presentes da minha semana e não pude deixar de relata-los.. Enfim, continuarei com os ouvidos atentos.

quarta-feira, 9 de maio de 2018


Impresiones da semana
09/05/18

Nesta semana fomos a conhecer o bairro Brotas. Durante o trajeto (a pé) escutamos diferentes estilos musicais que sairam dos aparelhos de son dos locales comerciales, o barulho das pessoas e do tránsito na rua. Chegamos no límte do bairro com outro bairro (não me lambro o nome) e passamos por um parque chamado “Bela vista do sol” que tém uma construção abandonada (o parque em geral esta abandonado); lá se escutaba muito forte o son das cigarras, eu gosto muito desse son.
Sexta feira de tarde teve aula de "Atelier Contemporáneo", um dos meus companheros de turma (Bladimir) tocou para a gente algumas das pezas a apressentar num concerto que tinha no dia seguinte; ele toco violão clásico e contemporâneo. Foi muito bonito.
A noite, na roda de capoeira do grupo em que eu participo (Nzinga) tivemos Sarão e escutei por primeira vez e ao vivo uma viola caipira (tinha muita curiosidade e gostei demais), tivemos muitas musicas diferentes (até de Grécia), uma flauta doce e poesia. Foi bom.
Domingo pasado fez uma festa na minha casa pra inaugurar o espaço cultural, lá fizemos uma apresentação com o meu grupo (trio) tocamos música latinoamericana (dos Andes desde Chile até Colombia, do Paraguai e do Brasil). Logo tocou um grupo de música da costa Colombiana chamado (Son de Cumbia). Depois disso e ainda antes de começar nossa apresentação, o pessoal assistente tocou muitos outros gêneros musicais, tivemos Capoeira, Samba de roda, Forro, Baiao e outros ritmos que eu não conheço. Foi muito legal.
Para fechar a semana fui a uma apressentação de Bahiao na terça feira. Um homenagem a Luiz Gonzaga e mostra de composições de estudantes da UFBA. Foi muito interesante.
Em quanto ao son de tambores que escuto semanalmente no meu morro, já identifiquei o origem, más não tem volto a soar e ainda não falei com o autor para perguntar o que é.
É tudo por enquanto, continuo atenta aos novos sons do meu redor...

segunda-feira, 7 de maio de 2018


Impresiones musicales da semana.
2 de maio de 2018

Escutei muitos sons da natureza. Cigarras na parada de ônibus da UFBA (Pro retoria) e o son do mar na minha janela (esse eu gravei).
Todos os días acordo escutando a Brisa, minha vizininha de 5 anos que mora abaixo da minha casa e acorda contente brincando e cantando antes de ir pra escola.
Lembro de ter escutado mais o menos uma vez por semana o son de um tambor e o canto de um homem numa música que eu (desde minha ignorancia) relaciono com candomble1; mais esta semana não escutei e ainda não tenho identificado o origem exato.
Soube de uma samba de roda à que infelizmente não conseguí assistir e fuí a um “pagode” no qual escutei Xote, Arrastapé, Bahião, Choro e Pagode, alem de MPB e Reggae, tudo ao vivo. Foi muito legal más não consegui gravar. Também fui pra Capoeira Angola, trenei, joguei, toquei e cantei, mas também não gravei.
Trabalhe quasi todos os días no Onibus e fez varias gravações de video com o meu celular (não é uma boa qualidade de som mas da pra se evaluar) e também estive ensaiando com um novo integrante do grupo e fez gravações de som.
Alem dizo o paisagem visual e acustico mais bonito da semana foi subindo pelo morro de San Lázaro: Duas mães brincando com monte de criançãs na rua, um jogo de pelota que na minha terra chama-se de “Ponchado”. Lembre da minha infança e até de outros tempos mais recentes.
Foi lindo ficar mais atenta a esses detalhes sonoros que fazem a diferença do dia a dia.



1Minha amiga brasileira falo que parecía Ijexa.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Terceiro encontro!

AQUILOMBAR

  ( Reflexão do texto: Nem Centro, Nem Periferia: Sociabilidade, Cultura e mundos sonoros em bairros  populares  em salvador, de Angela Luhning)





    ( Frases das discussões do texto)

Aquilombar verbo que apesar de viver, conheci recentemente. O verbo transitivo direto, a- qui-lom –bar. Fazer-se quilombo, reunir forças, resistir.


Nesse terceiro encontro refletimos sobre as comunidade de salvador  e todos os seus aspectos, movimentos, origem. Que com certeza, muitas delas nasceram de um quilombo, de uma união de pessoas  que emana resistência até hoje . 


E seguimos aquilombando!

domingo, 22 de abril de 2018

A aula de Quinta - Feira , dia 19/04/18


  • Fizemos uma breve apresentação de cada pessoa presente e  cada um fez seus comentários acerca das leituras feitas dos textos "Solos Culturais" e "O que é Favela Afinal" correlacionando com suas próprias leituras de mundo, experiências, vivências e ideias do que é "favela".  Ficamos certos de que Favela não pode ser generalizada, pois existem diversas formas de favela, com culturas próprias e identidades locais; Favela é independente da Cidade.
  • Fizemos o início da construção do mapa de Salvador, com base nos locais que queremos visitar e marcando os locais onde cada pessoa do grupo mora. Utilizamos um mapa turístico de Salvador e constatamos que o mapa não contempla todos os lugares existentes na cidade, inclusive alguns bairros, como o meu, Boca do Rio, estava em um quadrado a parte, e bairros como Piatã e Auto de Coutos nem apareciam no mapa.
  • Ficamos com a ideia de "Apartamento" ter alguma relação com o "apartheid".
    Ao Buscar o significado da palavra apartamento, encontrei o que se segue:


1. Substantivo masculino. Separação, afastamento, despedida.Ausência, retiro, solidão.
Compartimento em um prédio, com várias peças, destinado à residência, em geral, de uma só família.

Sinônimos de Apartamento

Apartamento é sinônimo de: afastamento


2. Apartamento¹.
Ato ou efeito de apartar.
Apartamento²
m. Ant.
Compartimento, quarto, parte de um prédio destinado a uma família.
(Cp. fr. appartement)
Novo Diccionário Da Língua Portuguesa © 1913



3. A palavra “apartamento” tem a sua origem no italiano “APPARTAMENTO”, de “APPARTARE”, que por sua vez significa ‘colocar de lado, separar’, do latim AD, ‘a’, mais ‘PARS’, ‘parte’.

O “apartamento”, atualmente, é uma unidade habitacional presente em edifícios e em conjuntos habitacionais. Há diversos tipos, de acordo com o seu tamanho: quitinetes (com um quarto), unidades de 2, 3, 4 a até mais dormitórios, tem a possibilidade de haver suítes (quartos com banheiros exclusivos) e garagens.

Fonte: https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-apartamento/


Procurando o significado da palavra "apartheid" encontrei:

1. Do Africâner APARTHEID, "separação", de APART, "separado, de lado", mais HEIT, sufixo que expressa situação, condição, estado.

Fonte:http://origemdapalavra.com.br/pergunta/apartheid/

2. Substantivo masculino[História] Política de discriminação racial ou separação entre a raça branca e negra, propagada por uma minoria branca, durante grande parte do século XX, na África do Sul. Tudo o que estiver relacionado com o ato de segregar, principalmente no âmbito racial.

Fonte:&https://www.dicio.com.br/apartheid/

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Segundo encontro!


Se tem uma palavra que representa esse segundo encontro é a palavra Diversão!
Que encontro maravilhoso! e as as performances!? Não sei não, viu. Mas acho que essa ACCS é a mais divertida e criativa de todas!

Começamos a tarde com boas discussões dos textos “O que é a favela, afinal?” e “Solos culturais”. Nessas discussões também fizemos reflexões, das quais uma delas foram. Será que em Salvador existi  favelas ou são comunidades? Será que estamos aderindo o termo favela por influencia das novelas produzidas no rio de janeiro? Com essas perguntas já deu pra vê que deu "muito pano pra manga!"



Já começamos a construir nosso mapa de visitações. Primeiro, fomos encontrar as nossas ruas e bairros pelo mapa turístico de salvador. E não é que a rua Tote tá no mapa!

,














Depois de encontra a rua Tote! ( rs) .Começamos a construir nosso próprio mapa, e também já nesse momento, começamos a refletir a quais lugares iremos visitar.



No final fizemos uma atividade corporal e performance maravilhosa. Criatividade nos ressume.


Já estou ansiosa para o próximo encontro!
Essa turma promete!


domingo, 15 de abril de 2018


ACCS: Diálogos com práticas culturais soteropolitanas


Ementa:
Abordagem de vivências e práticas culturais/ artísticas em diversos contextos sócio-geográficos de Salvador, com ênfase em bairros populares, tanto através de observações e participações pelo grupo de estudantes participantes (que deve assumir o protagonismo na indicação de lugares e vivências), quanto por leituras de textos e discussões coletivas concernentes ao tema, buscando construir diálogos e colaborações com as formas de expressão observadas e vivenciadas, através de meios e em formatos a definir e a experimentar durante a disciplina. A disciplina ainda inclui a proposta de uma culminância cênico-musical cujo formato e local de realização dependerá das características específicas das vivências, evitando que se estabeleça de forma antecipada modelos e formatos prontos, sem antes de conhecer de fato as realidades culturais a serem vivenciadas
Áreas envolvidas na proposta:
Etnomusicologia, música, teatro, antropologia, educação social

Horários:
A definir, conforme observações do grupo participante; realização alternada de aulas “teóricas” e idas ao campo e vivências em bairros e lugares a definir, conforme vivências e contatos anteriores do grupo de participantes.
Aulas fixas na EMUS, às quintas feiras, das 13 – 16.40h, idas ao campo neste mesmo dia e/ou horários alternativos, conforme necessidade dos acontecimentos culturais e a disponibilidade de agenda do grupo de estudantes participantes.

Objetivos:
- Abordar de forma crítica o conceito de arte e cultura através da participação ativa de alunos e alunas que trazem suas experiências e vivências de bairros populares em Salvador e/ou outros locais.
- Aproximar-se a uma bibliografia especializada que aborda a questão da diversidade cultural em contexto urbanos brasileiros.
- Estabelecer relações de descobertas e trocas com comunidades e suas variadas expressões culturais na grande Salvador.
- Realizar visitas/ observações / vivências em bairros (em especial os populares) a partir de contatos já pré-existentes, seja da parte das professoras ou do grupo de participantes,
- Buscar e incentivar trocas entre pessoas e expressões de bairros diferentes, bem como visar possíveis visitas destas pessoas às escolas de Artes, se o desejarem.
- Realizar, se possível, uma culminância artística/ cultural entre o grupo de estudantes participantes e um (ou mais) dos contextos visitados, a ser mostrado em lugares a definir, inclusive na EMUS ou EMAC. 
- Realizar experiências/intercâmbios artísticos, integrando os/as estudantes e pessoas/ grupos participantes dos contextos visitados, a ser mostrado em lugares a definir, inclusive na EMUS ou EMAC

Conteúdo programático:
Compartilhamento de vivências com colegas
Leituras sobre contextos culturais comunitários
Processo do despertar do sensível através de metodologias de arte-educação
Discussão de conceitos como cultura, arte, espaço público, urbanismo e bairros periféricos
Observações de contextos culturais em bairros diferentes
Possível mapeamento a partir das observações feitas
Participações do grupo de estudantes em contextos escolhidos
Processos criativos e intercâmbio artístico nos e com os contextos visitados
Reflexões finais, juntando leituras e vivências
Construção coletiva de uma experiência artística cultural fruto da convivência entre todos os/as estudantes participantes e grupos comunitários, em forma de cena, recital de poesias, texto-manifesto etc)

Contexto da comunidade:
Teoricamente todos os bairros de Salvador poderiam ser envolvidos, em especial os bairros periféricos, sejam-nos em termos geográficos e /ou sociais, como locais pouco percebidos pela sociedade soteropolitana, a não ser de forma negativa e preconcebida. Mas, na prática in inclusão, ou não, depende dos vínculos já existentes das pessoas participantes. Pensamos nos bairros ditos populares que guardam muitas características culturais particulares, muito além dos estereótipos criados pelas mídias e o senso comum. Desta forma a disciplina entende-se como possibilidade de conhecer a cidade a partir de outro ângulo e permitir ao grupo de participantes de ampliar seu conceito de cultura e arte a partir de suas próprias vivências, observações e experiências novas e diferentes, idealmente guiadas por participantes residentes nos bairros visitados. Isso contribuirá para uma visão mais equilibrada de conceitos de cultura e espaço urbano, desconstruindo definições estanques relativos ao conceito cultura.   

Interdisciplinariedade:
A proposta propõe-se a retomar vivências e convivências não apenas entre parte das escolas de Artes que por 20 anos desenvolveram várias atividades e disciplinas como EMAC (1969 a 1989), mas também com a cidade do Salvador, seus vários espaços e as pessoas que nela habitam, partindo da constatação do ainda pouco diálogo entre universidade e sociedade, salve poucas exceções. Devido a não inclusão e não consideração sistemática de vivências culturais no currículo da EMUS, além do cânone ainda pautado em referências musicais europeias, torna-se urgente permitir e incentivar a descoberta, a percepção e o reconhecimento de outros modos de ser expressar artisticamente e dos locais onde acontecem música/ arte/ cultura. Sabendo que hoje muitos alunos/as da UFBA vem de bairros periféricos de Salvador, sendo cotistas ou não, torna-se importante entendê-los/las como protagonistas para guiar os/as colegas de turma na descoberta de outros espaços e suas vivências para assim ampliar os conceitos vigentes de cultura/ música e arte, além de discutir desigualdades sociais e aspectos interdisciplinares e pensar em possíveis desdobramento das reflexões e descobertas para os currículos em vigor.
Em relação às pessoas nos locais a serem visitados podem surgir as mais diversas demandas, ainda não previsíveis que devem ser ouvidos com sensibilidade, para pensar nos melhores encaminhamentos e desdobramentos, sem querer direcioná-los desde já e evitando atitudes paternalistas ou de percepção condescendente ou “exotizante” das pessoas, suas expressões e das possibilidades de diálogo. 

Metodologia:
A metodologia busca o reconhecimento de vivências culturais prévias dos/das estudantes participantes, fortalecendo o seu protagonismo. Assim acredita-se que haja uma motivação especial para as pessoas participantes poderem trazer suas vivências e construir a partir da diversidade novas propostas de diálogos entre contextos muitas vezes desconectados entre si ou não percebidos pelo contexto universitário.
Desta forma os locais a serem visitados dependem, em última instância, do efetivo perfil do grupo de participantes, embora possa haver sugestões da parte das professoras responsáveis, caso demore em ter contribuições, como p.ex.: o sarau da onça (Sussuarana), o sarau urbano (Engenho Velho de Brotas), a batalha de freestyle no Dique, encontros e ensaios de grupos de samba junino em vários bairros populares, entre várias outras possibilidades de expressões a serem visitadas.
A participação ativa do grupo de participantes na indicação/escolha de locais e vivências culturais, musicais ou cênicas, a serem visitados será um diferencial de componentes convencionais, o que levará também à discussão de questões estéticas, éticas e conceituais que irão além do aspecto artístico, pois infalivelmente trarão questões como desigualdade e exclusão social, preconceito cultural e estético, políticas de representação e racismo, entre várias outras questões. Entendemos a metodologia como proposta aberta, necessariamente precisando das possibilidades de direcionamento da parte de todo o grupo de participantes, o que nos faz evitar propositalmente definições e decisões prévias.    

Avaliação:
A partir da participação de pessoas com vivências prévias em bairros diversos será possível conhecer a diversidade cultural na prática e refletir sobre ela ao longo da realização da atividade. O grupo de participantes receberá um questionário de sondagem no início para colocar suas percepções, bem como no final. Assim será possível perceber o nível e a profundidade das percepções, reflexões e possíveis mudanças nas suas percepções.
O diálogo artístico com pessoas ou grupos envolvidos no processo ao longo do semestre levará a formas de expressão em constante construção. Uma das várias observações vividas/ colaborações artísticas pode ser transformada em uma vivência criativa, a ser apresentada em um lugar a definir, seja na UFBA ou fora dela, assim levando a novas discussões sobre lugares, formatos e expressões.  Consideramos que criações artísticas, fruto da convivência entre estudantes e agentes culturais locais, bem como Rodas de Conversa nesses locais, são indicadores quantitativos e qualitativos importantes.
Indicadores de avaliação da melhoria prevista para a atuação docente:
A inserção das docentes em um processo dialógico trará importantes reflexões para fundamentar novas propostas para o contexto de atuação docente nas unidades de origem das duas docentes, mesmo que já tenham ampla experiência fora da UFBA. Mas certamente a atividade ACCS em conjunto com o grupo de estudantes e pessoas oriundas de comunidades diversas, levará a um reconhecimento de outra práticas culturais- artísticas que permitem ampliar discussões e fortalecer propostas metodológicas diferentes em sala de aula.
A relação com um número diversificado de pessoas, grupos culturais e comunidades reforçará também o compromisso de pensar nas responsabilidades da atuação docente para com o incentivo a pessoas que queiram se aproximar às escolas de Artes da UFBA, mas ainda não as conheçam.

Sintese de diferença de outras disciplinas:
Mesmo que já haja diversas disciplinas que se proponham a mergulhar no ambiente da cidade, ainda não existe nenhuma disciplina com esta abrangência na EMUS que busque dialogar com pessoas, espaços, lugares e expressões presentes neles. Na Escola de Teatro há um pouco mais de prática neste sentido, mas ainda sem um diálogo com a EMUS, assim a parceria entre as duas unidades também parece ser uma diferencial importante. Caso haja propostas parecidas em outras unidades, estas por sua vez, aparentemente, não envolvem alunos e alunas de música, pois não houve ainda relatos neste sentido.

Bibliografia:
ARAÚJO, Samuel et alli. A violência como conceito na pesquisa musical: reflexões sobre uma experiência dialógica na Maré, Rio de Janeiro. Revista Transcultural de Música/ Transcultural Music Review, no. 10, 2006.
BARBOSA, Jorge Luiz (Org.). O que é a favela, afinal? Rio de Janeiro, Observatório de Favelas, 2009.
________; DIAS, Caio Gonçalves. Solos culturais. Rio de Janeiro, Observatório de Favelas, 2013

COUTINHO, Marina Henriques. A favela como palco e personagem. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2012.
CUNHA, Neiva Vieira da; FELTRAN, Gabriel de Santis (Orgs.). Sobre periferia: novos conflitos no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Lamparina e FAPERJ, 2013.
DOURADO, Paulo; MILET, Maria Eugênia. Manual de Criatividade. Salvador, EGBA, 1998.
ESPINHEIRA, Gey. Sociedade do Medo. Salvador: EDUFBA, 2008.
________. Metodologia e prática do trabalho em comunidade. Salvador: EDUFBA, 2008.

GOMES, Henriette Ferreira; NOVO, Hildenise Ferreira et alli., (Org.). Informação e Protagonismo Social. Salvador: EDUFBA, 2017
LUHNING, Angela. Nem centro, nem periferia: sociabilidade, cultura e mundos sonoros em bairros populares em Salvador. Revista Arteriais, (Belém), v. 3, p. 85-109, 2016.
SERPA, Angelo (Org.). Espaço público na cidade contemporânea. Salvador, EDUFBA/ São Paulo, Editora Contexto, 2007a.
_________. Cidade popular: trama de relações sócio-espaciais. Salvador, EDUFBA, 2007b.